Falta de mão-de-obra qualificada

De acordo com alguns autores estamos a caminhar para uma falta generalizada de mão-de-obra qualificada. Este cenário começará por afectar o sector das tecnologias de informação mas alastrar-se-á a praticamente todas as áreas.

O artigo “Some Sectors in Europe Face a Labor Shortage” do NY Times demonstra algumas preocupações. Traduzindo o original:

(…) Dados do principal inquérito sobre falta de mão-de-obra da Comissão Europeia e de entrevistas em empresas das industrias de equipamento informático, software, ferramentas, moda e banca, revelam que a falta de mão-de-obra já não era tão acentuada desde os anos do boom tecnológico no princípio desta década. (…)

Segundo Edward Gordon, existem diversos factores que explicam este fenómeno. Traduzindo o artigo “Is Offshoring the Answer to the 2010 Labor Shortage?” da IT Business Edge:

(…) o aumento acelerado de tecnologias avançadas, a globalização após a queda do comunismo, a bolha dos anos 90 e o seu colapso, e uma quantidade enorme de pessoas a entrar na reforma (…)

Até agora a solução encontrada pela maioria das empresas é o recurso a outsourcing, chegando muitas vezes a contratar mão-de-obra em países mais baratos. Mas será esta a solução para o problema? O mesmo autor pensa que solução não passa por aí:

(…) De acordo com alguns estudos, entre 2010 e 2020, a Europa, o Japão, a China e a Índia irão enfrentar a mesma queda no número de pessoas com educação avançada e especializada tecnicamente. (…)

É precisamente isso que está neste momento a acontecer na China. O Wall Street Journal, no artigo “Labor Shortage May Help China Adjust to Slowdown”, associa à falta de mão-de-obra qualificada o aumento dos salários, como forma de atrair mais candidatos:

Chinese factories are being forced to invest more in labor-saving technology as wages rise, underlining the impact of the labor shortage. “The days of just adding people are over,” said Dwight Nordstrom, president of Pacific Resources International in Beijing, which operates 10 factories in China. Rising wages are changing the type of worker Mr. Nordstrom looks to employ. “We’re looking for more skilled workers who can handle machines,” rather than adding unskilled labor, he said.

A solução terá que passar por atacar o problema pela raiz. As empresas deverão dirigir os seus esforços em primeiro lugar para os seus actuais funcionários, melhorando as suas qualificações através de programas de formação avançada. Em paralelo deverão estabelecer protocolos com universidades e outras instituições de ensino de modo a patrocinarem educação especializada em áreas cruciais ao seu negócio.

Obviamente que estas acções não terão retorno no imediato. Será necessário esperar alguns anos até serem visíveis os sinais de que a mão-de-obra qualificada está de facto a aumentar.

Entretanto, só lhes resta reagir ao imediato tentando atrair os melhores profissionais da única forma que lhes é possível: condições salariais e outras regalias. Quem ganha afinal com esta crise da mão-de-obra?

— adaptado do original de 30 de Abril de 2007.

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